Atuo em educação bilíngue há quase quinze anos e cada vez mais vejo as angústias aumentarem e não serem resolvidas...
Angústia 1: Não consigo saber se esta escola é bilíngue, internacional ou outra coisa....
Esta é uma angústia que parte tanto das famílias como dos profissionais. A falta de regulamentação e determinações claras sobre o que é uma escola bilíngue, como se caracteriza uma escola internacional, se a escola que oferece carga horária ampliada de aulas de inglês pode ser considerada bilíngue, a meu ver, são as principais razões para esta angústia e no momento, me pergunto se uma legislação em âmbito nacional seria a melhor solução para este dilema, pois não acredito que ela refletiria o pensamento e necessidades reais deste contexto escolar, já que alguns dos responsáveis por legislar não se encontram em condições mínimas de entender a educação no Brasil
Angústia 2: Professores procurando emprego e escolas procurando professores...
Esta angústia cada vez mais chega até mim. Depois que comecei a prestar um serviço de recolocação de profissionais da educação bilíngue, recebo mensagens toda semana de coordenadores e diretores desesperados para encontrar profissionais para ontem. E as razões para não haver um match são das mais diversas: falta profissional com a qualificação exigida, exigências muito altas feitas pelas escolas, tem muito profissional com experiência de décadas em ensino de inglês que não se adaptam ao ensino bilíngue, pois não recebem um preparo para esta transição (isso mesmo, aula de inglês e educação bilíngue não são a mesma coisa), salários ultrajantes oferecidos por algumas escolas, ah!, são tantas.
Angústia 3: A invasão dos programas bilíngues...
Os programas bilíngues vieram como uma solução alternativa para escolas que queriam resolver algumas angústias vindas de sua comunidade e por pressões mercadológicas. E muitos tem cumprido seu papel lindamente. Mas.... esta é uma angústia particular minha, mas que pode ser de outros também. Muitas pessoas envolvidas nos programas bilíngues, infelizmente, não são de áreas pedagógicas, o que minimiza o potencial transformador de suas práticas. Como posso vender um produto se não sei como operá-lo? É extremamente necessário que estas pessoas que atuam nestes programas bilíngues, tenham uma formação mínima em questões pedagógicas para poder se aprofundar nos aspectos particulares dos contextos escolares bilíngues para que ninguém saia frustrado nessa relação. nem os alunos, nem os professores, nem as famílias, nem as empresas....ninguém.
Angústia 4: Ouvir que educação bilíngue é para a elite e que não resolve as questões de equidade.
De imediato não resolve mesmo. Mas se eu penso em formar cidadãos conscientes e com uma visão de mundo mais ampliada, com acesso a mais informações e com um respeito à diversidade, com certeza, terei um impacto no futuro de todos. Se a elite não for educada para ter este pensamento de equidade, de ampliação do acesso, de respeito ao próximo e tantos outros aspectos, não sei como tirar do caminho as disparidades.
Vou parar por aqui, sem deixar de acreditar que essa consciência dos problemas nos leva a caminhos para sobrepor as dificuldades e superá-las, mas peço que se tens alguma angústia sobre sua atuação em contextos bilíngues compartilha conosco, coloca um comentário, compartilha entre seus amigos e traga possibilidades de caminhos.
Eu já estou trilhando alguns, colaborando com a formação de professores e outros profissionais envolvidos neste contexto, ajudando professores a encontrarem boas escolas para atuarem, produzindo conteúdos e pesquisa nesta área. E você?
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