Há um tempo percebi como ainda pensamos com a cabeça do século passado. E dentro da educação, realmente não sei se está pior ou se já está melhorando. O uso de novas tecnologias, aplicativos, a era digital e tudo mais dentro deste tópico ainda pode ser muito assustador para alguns. Felizmente, para outros é só mais um passo, é só mais um desafio, é só mais uma opção dentro da gama de recursos que podemos usar em momentos de ensino-aprendizagem.
Recentemente, ao me mudar de país, tive a oportunidade de fazer vários cursos online. Já havia feito alguns quando ainda estava no Brasil. Mas por alguma razão, estes que fiz agora me oportunizaram um olhar mais crítico sobre os cursos online. Neste artigo eu gostaria de compartilhar com vocês um pouco da minha experiência neste nem tão novo cenário de ensino-aprendizagem.
Não consigo encontrar na minha memória qual foi meu primeiro curso online, mas em 2016 fiz uma Graduação à Distância. Este curso, com duração de 1 ano, gerou uma visão de educação online positiva para mim. Percebi que o maior desafio era a disciplina com relação ao tempo, pois quando você pode fazer a aula quando quiser, os prazos finais chegam muito rápido. Mas, de maneira geral, o curso cumpriu com o que oferecia. Vídeos explicativos, textos teóricos, fóruns de discussão, checagem de aprendizagem por questões de múltipla escolha, avaliação final presencial. Pontos negativos: para uma Graduação, o aprofundamento nos conceitos era muito raso, além de pequena oferta de material complementar.
Depois deste, participei de outros cursos, que tinham um caráter de formação complementar, cursos livres, com no máximo 30 horas de dedicação. Cada um apresentava seu material de maneira diferente, alguns tinham videos, outros webinários, outros somente textos. As interações entre os participantes eram geralmente por fóruns, mas que tinham uma participação muito estranha por parte dos alunos, pois se era obrigatório a participação as postagens eram sempre cópias; se eram livres, ninguém participava. O que me levou a uma comparação com a sala de aula tradicional, onde o professor faz sua aula expositiva e raramente alguém levanta a mão para fazer alguma pergunta ou questionamento. A não ser que isto valha nota.
Pensando ainda nos cursos online, hoje temos uma enorme oferta de cursos gratuitos nas mais diversas áreas de interesse, plataformas, modalidades. Com isso, temos que exercitar duas habilidades: foco e pensamento crítico. O foco é para não se inscrever em 10 cursos aos mesmo tempo, receber 2 e-mails diários de todas as plataformas e não conseguir aproveitar e aprender com nenhum deles. Coursera, EdX, Udemy, FutureLearn, Aquifolium, Escola da Vila, Singularidades, Circuito E-learning, UFSCar, Eadbox, são algumas das plataformas que usei e aconselho a todos experimentarem pelo menos um curso em cada plataforma. Vocês perceberão quão diversos eles são. E aí vem o pensamento crítico, pois é preciso avaliar os cursos e seu desempenho perante eles para poder analisar o que foi realmente útil e o que você leva de aprendizado.
Gostaria de falar agora da minha recente experiência e a real motivação em escrever este artigo. Como estou morando em outro país, tenho mais tempo para me dedicar à minha consultoria educacional e a pensar em formações para professores. No último sábado, tivemos a oportunidade de fazer um workshop em um lugar muito legal. Samanta estava presencial e eu via Skype. Nossa ideia é continuar os cursos, independente do fato de eu estar à distância. Mas eu não tinha ideia de como essa experiência ia mexer comigo e com os participantes. Não conseguir ver todas as pessoas, não sentir o calor humano, não ter a da linguagem corporal do outro é muito desafiador, mas poder compartilhar conhecimento e práticas vai além disso e supera essas pequenas adversidades. Tenho certeza que a virtualização é possível e queríamos garantir que as pessoas tivessem a chance de interagir e compartilhar suas aprendizagens também, por isso escolhemos este modelo e não um curso totalmente online. Mas em dado momento do curso, uma das pessoas soltou a frase do título: “mas educação online não é para mim”. Na hora, fiquei assustada, mas aos poucos me coloquei no lugar da pessoa. Como coloquei lá em cima: a experiência do novo é ainda muito assustadora para alguns. Ainda mais considerando o que oferecemos naquele dia: um modelo híbrido, onde os participantes estavam presentes, mas a facilitadora estava remoto, não sendo, necessariamente, um curso online.
Aprendi com essa experiência que cada um tem seu jeito de aprender, mas isto não significa que novas formas de ensino-aprendizagem não devam ser experimentadas, testadas, modificadas.
E você? Qual sua experiência com cursos online? Qual seria seu modelo ideal?
Débora Affonso atua como consultora educacional oferecendo suporte na área pedagógica e formação de professores, conta com experiência como professora polivalente e de música em escolas bilíngues há mais de doze anos. Realiza pesquisa na área de bilinguismo, aquisição de linguagem, identidade cultural, neurociência, alfabetização e letramento. Tem Licenciatura e Mestrado em Música pela USP, além de formação em Pedagogia. Possui certificações como CPE, TKT-CLIL e IELTS.
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